quinta-feira, 22 de março de 2012

Por que Iron Maiden? 30 Anos de The Number of the Beast



Por Amancio Paladino


Uma ode a "The Number of the Beast"


Parte 1: "I left alone, my mind was blank. I needed time to think to get the memories from my mind."

É com o peito cheio de glória e com a cabeça cheia de ideias que escrevo esta ode a uma das obras primas da música em todos os tempos. The Number of the Beast é talvez um dos mais icônicos álbuns do rock. É burlesco, é um vaudeville. É sério e soturno. É perfeito!

Faz 30 anos que foi lançado, e, imediatamente, conquistou um lugar de destaque, entrando para qualquer ranking dos dez melhores discos de rock que se preze. É eterno, o tipo de disco que quase nunca ouvimos no carro, porque se chegarmos ao nosso destino sem que ele tenha terminado, teremos de ficar esperando com o player ligado até o final. Em São Paulo é quase impossível chegar a qualquer lugar em menos de uma hora, por isso é possível ouvi-lo pelo menos uma vez por semana!

Lembro-me até hoje de meu primeiro contato com o álbum. Foi em 1983, quando tinha 10 anos de idade e colecionava figurinhas de um álbum chamado "Stamp Color". Nele havia figurinhas de capas de discos de rock e colecioná-las virou uma febre entre os meninos da minha escola. Todos tinham bolos de figurinhas com as capas dos grandes discos de rock para trocar nos intervalos e para jogar bafo. As três figurinhas mais disputadas eram das capas de Killers (Iron Maiden), Abominog (Uriah Heep) e de Jump in the Fire (Metallica) simplesmente porque eram as mais “radicais”. Para mim, Eddie ganhava fácil das outras, e eu tinha várias cópias da figurinha guardadas.

Certo dia um colega me perguntou se eu já tinha ouvido aquela banda. Respondi que não, nunca (eu gostava mesmo das figurinhas)... Então ele começou a me contar as histórias de seu irmão mais velho, que não parava de ouvir o então novo disco do Iron Maiden. Disse-me que ele contava com uma capa muito mais legal que a de Killers. Afirmou ainda que as músicas eram sobre o diabo e que falavam de um número do mal, que jamais devia ser escrito. Além disso, declarou que havia um símbolo estranho em todas as capas da banda. Isso bastou para que terminássemos a tarde ouvindo o disco junto com seu irmão mais velho.


Foi meu primeiro contato com o heavy metal, com música “de verdade” por assim dizer. No fundo mesmo, naquela época não liguei muito para a música em si, o que me atraiu de verdade foi a ideia que o Maiden passava, a forma como eles se apresentavam com “aquele cara” citando trechos do Apocalipse de São João antes das músicas, e as capas desenhadas à mão, um deleite para os olhos! Naqueles tempos reproduzi diversas vezes o símbolo estranho da capa (que, muitos anos depois, descobri se tratar da assinatura do desenhista Derek Riggs) em meu cadernos, perdi horas examinando cada capa para desenhar Eddie e o logo do Maiden. Bons tempos...

Parte 2: "This can't go on, I must inform the law. Can this still be real or just some crazy dream?"

Em suas nove músicas, The Number of The Beast apresentou ao público o novo vocalista da banda, mestre Bruce Dickinson, que, saído do Samson, iniciou uma das maiores e melhores carreiras em todo o rock. Além disso, se por um lado Dickinson estreou, Clive Burr deixou a banda, sendo este o último disco registrado pelo excelente baterista no line-up da Donzela, que ainda contava com os guitarristas Dave Murray e Adrian Smith, além do poderoso chefão Steve Harris.

Clive Burr, Adrian Smith, Dave Murray, Bruce Dickinson e Steve Harris

Logo após seu lançamento, o álbum atingiu a primeira colocação na parada britânica de álbuns, sendo em seguida certificado com disco de platina nos EUA. Sim, meus amigos, The Number of the Beast tornou o Maiden um fenômeno mundial, criando uma poderosa legião de fãs de causar inveja a qualquer artista.

Se por um lado o disco lançou o Maiden ao estrelato, também foi alvo de severas críticas pelos setores mais conservadores da sociedade, principalmente nos EUA, onde era comum assistir queimas do álbum em programas de televisão, missas e eventos religiosos dos mais variados credos e doutrinas. Esses fatos renderam brincadeiras diversas em discos posteriores, como, por exemplo, Nicko McBrain (baterista que substituiu Clive Burr) falando ao contrário no álbum Piece of Mind, o que forçava os fãs a girar o disco no sentido anti-horário para ouvir algo como “cuidado com o monstro de três cabeças”

Parte 3: "What did I see, can I believe, That what I saw that night was real and not just fantasy."

Smith e Dickinson tiveram um papel preponderante neste disco. Nota-se claramente uma mudança no estilo da banda, que se tornou mais agressiva e ao mesmo tempo muito mais lírica. Harmonias perfeitas, rápidas e riffs pesados intercalados com a poderosa voz do então jovem Dickinson fizeram deste álbum um marco, apresentando a NWOBHM (New Wave of Britsh Heavy Metal) como o estilo mais influente da boa música dos anos 80. O dedo da dupla Smith/Dickinson pode ser sentida em quase todas as músicas, sendo o primeiro álbum no qual o guitarrista teve créditos por suas composições.

Devido a obrigações contratuais com o Samson, o vocalista não poderia legalmente ter créditos na composição de nenhuma música, mas sua influência foi tão clara em "Run to the Hills" e "The Prisoner" que ninguém é capaz de negar que foram realmente escritas por ele.

Se é possível escolher as melhores canções do álbum sem cometer nenhum desagrado, "Run to the Hills", "The Number of the Beast" e "Hallowed Be Thy Name" são as escolhidas. Perfeitas! Sendo que, em "Hallowed Be Thy Name", Dickinson realmente mostra do que é capaz, soltando seguidos agudos de mais de dez segundos para anunciar que as areias do tempo correm lentas para quem espera pela morte. Realmente avassalador!

Parte 4: "In the night, the fires are burning bright. The ritual has begun, Satan's work is done."


Além da qualidade musical o álbum teve uma apresentação impecável coroada pelas diversas capas e contracapas criadas pelo genial desenhista Derek Riggs. Esses desenhos, somados à característica leitura introdutória da música "The Number of The Beast" (trecho do capítulo 13 do Livro do Apocalipse da Bíblia), anunciando o número 666 como a marca do Demônio da Revelação, cria um clima altamente tétrico para o disco. A leitura foi feita pelo artista Barry Clayton, que literalmente copiou o estilo do famoso ator de filmes de terror Vincent Price, que não pôde ser contratado pelo Maiden devido ao alto cachê cobrado.

Pintura de William Blake, intitulada "The Number of the Beast: 666"

Enfim... O que mais posso escrever sobre o disco sem comprometer minha série "Por que Iron Maiden?"? Que suas músicas são tocadas até hoje em todos os shows do grupo no momento clássico do bis? Que um show do Maiden só existe quando se ouve Barry Clayton anunciando “Woe to you...”? Que assustadoramente alguns se ajoelham e lágrimas de felicidade escorrem dos espectadores quando a intro de "The Number of the Beast" aponta nos amplificadores dos shows? Não, não escreverei mais... Chega!


Contracapa de The Number of the Beast

Além ser "O" clássico, The Number of the Beast é o disco que me apresentou o estilo musical que mais gosto entre muitos: O heavy metal! Portanto, tem lugar especial em meu coração! Viva o metal! Vida longa ao Maiden! Up the Irons!

4 comentários:

  1. Que postagem !! Esse álbum é bom pra caralho, sem duvida um dos melhores da história do heavy metal. Enfim, qualquer comentário sobre The Number Of The Beast vamos dizer soa insignificante, perto da grandiosidade desse álbum do Maiden.

    E parabens pelo excelente texto.

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  2. Execelente relato de um aficcionado que como muitos aprenderam a amar o Heavy Metal após escutar Iron Maiden!
    Parabéns!!

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  3. Amancio
    Sua história com a banda é bem parecida com a minha. A diferença que o album de figurinhas que me apresentou as imagens do Iron Maiden era chamado de Impacto. Lembro-me do dia que abri o pacotinho e vi a figurinha com a capa do 2 Minutes do Midnight. Foi algo que mudou minha vida...rs
    O primeiro disco que comprei do Maiden foi o The Number, no final de 1988. Comprei pela capa. Só sabia que era o mesmo grupo daquela figurinha do album Impacto.

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  4. Ahh...faltou dizer que na verdade essas nove músicas que vc citou são as oito que entraram na edição original do album mais Total Eclipse, que até então só tinha em single e que entrou depois no lançamento do CD.

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